Guaratuba

Vapor São Paulo

Encalhou na Praia de Caieiras em novembro de 1868, em fuga da Guerra Brasil - Paraguai. Das pedras quando a maré está baixa, pode-se ver a proa de um vapor paraguaio que encalhou quando fugia da guerra do Brasil e Paraguai.
Era uma tarde de nevoeiro no dia 26/11/1868, quando pelas 15 horas o ruído interminável do apito do Vapor São Paulo, surpreendeu os moradores da Vila.

A embarcação vapor São Paulo encalhou na praia de Caieiras no dia 26 de novembro de 1868 e os mistérios da causa do encalhe e uma possível passageira famosa aguça o imaginário dos guaratubanos há 148 anos. Segundo Joaquim Mafra, no Livro História de Guaratuba (1952), “era uma tarde de grande nevoeiro, vento sul, quando os moradores da vila foram surpreendidos pelo ruído interminável do apito do Vapor São Paulo, que pelas três horas da tarde acabava de encalhar na praia de Caieiras”.

Quando o vapor encalhou na praia de Guaratuba, 600 pessoas estavam a bordo, dentre elas, dez médicos, oficiais e escravos, muitos deles feridos, pois a embarcação servia a marinha brasileira e voltava da guerra do Paraguai. Todos desembarcaram e apenas uma pessoa faleceu, mas provavelmente, em decorrência de feridas de guerra.

A embarcação pertencia ao marido da compositora brasileira Chiquinha Gonzaga, Capitão Jacinto Ribeiro do Amaral, o que traz a suspeita que a compositora estaria entre os passageiros do vapor. Dados encontrados nas biografias que narram a vida de Chiquinha, relatam que ela e o filho pequeno foram forçados a acompanhar o marido à guerra, a bordo do vapor São Paulo.

As causas do encalhe ainda são misteriosas. Muitos presumiram que o encalhe do vapor foi proposital, outros, afirmaram que o capitão acreditava estar navegando pela barra procurando abrigo na baía,quando deparou-se com a costa.

Depois do encalhe, alguns passageiros do vapor ficaram alojados em grandes grutas que existem na praia, outros em casas particulares dos moradores da antiga Vila de Guaratuba. Os passageiros permaneceram na vila por alguns dias e depois foram levados para Paranaguá, nos vapores "Marumbi" e "Iguaçu”. Todos utensílios foram retirados do vapor, inclusive, uma mesa medindo 3,90 m de comprimento e 0,75 de largura.

Contam que uma empresa de Joinville arrematou os restos do vapor para sua exploração, abandonando este projeto mais tarde e vendendo a concessão pela importância de 200$000 reis (duzentos mil) para uma empresa que existia em Guaratuba na época. Um sino de prata que estava a bordo teria sido oferecido à igreja de Guaratuba, mas pelo peso do sino não foi possível retirá-lo do vapor.

A maior parte da estrutura do vapor São Paulo está enterrada na areia a 50 metros da costa da praia de Caieiras, mas é possível enxergar entre os meses de julho e agosto o que teria sido o casario da embarcação. Em relato feito em 1999, o senhor Renê Silveira, contou que quando criança, costumava brincar nos destroços do vapor São Paulo. "Ele só ficou na lenda, já está coberto por causa da ressaca, mas lembro que eu subia num casco de madeira e que o barco tinha rodas laterais. Também via o suporte dos mancais que acionavam as rodas d'água", acrescenta.
Após o encalhe do vapor São Paulo, o Capitão Manoel Pereira Liberato, autoridade policial da época, mandou um mensageiro até Paranaguá para comunicar o acontecido.


Conta a história do naufrágio do Navio Vapor São Paulo.
Fonte: Livro História de Guaratuba, autor: Joaquim da Silva Mafra, 1952.