Morretes

Capela Senhor Bom Jesus do Cardoso

Acervo fotográfico: Aluízio E. Cherobim - E-mail: alucherobim@lol.com.br
Informações: Pesquisador Éric Joubert Hunzicker

  • Igreja Senhor Bom Jesus do Cardoso

Tombo D´Água - Poço Preto

Localizado no Rio São João aproximadamente no Km 12, há ruínas do canal de tomada d´água do antigo moinho de trigo da Quepa. É um local muito procurado pelos amantes da pesca do nosso lambarí.

  • Tombo D´Água - Poço Preto
  • Tombo D´Água - Poço Preto
  • Tombo D´Água - Poço Preto
  • Tombo D´Água - Poço Preto

Capela do Itaperuçu

UM TEMPLO EM RUÍNAS NO LITORAL
Por João Baptista Groff
Revista Illustração Paranaense, número de julho de 1929.

No Município de Morretes, próximo a Estação Jacarehy, no lugar chamado Taperussú, próximo às margens do Rio Saquarema, em plena floresta virgem, existe uma notável construção.
Poucos conhecem no Paraná essas ruínas. Mesmo nos lugares circunvizinhos, ninguém menciona aquela maravilha dos primeiros habitantes do litoral. Um simples acaso nos levou a esse lugar. Apanhando vistas do Rio Saquarema, em companhia de Lange de Morretes, encontramos um morador daquelas paragens. Ao ser interpelado sobre as cousas interessantes das proximidades nos disse: “Ahi pertinho existe uma grande casa abandonada, dentro do mato”. Duvidamos. Mas o caboclo insistiu e então resolvemos segui-lo. Percorremos dois quilômetros pelo leito da ferrovia em direção a Morretes. Entramos pela direita por um caminho que atravessa a capoeira.
Tinhamos andado alguns quilômetros, talvez cinco, quando a mataria começou a ficar mais frondosa. Estamos num local que mais parece um grande parque do que um bosque.
Altíssimas árvores cujas copas se entrelaçam tornando o lugar permanentemente semi-escuro, apesar do céu límpido e o sol fortíssimo do meio dia...
Notamos alguns pés de bananeiras, laranjeiras, cafeeiros, cana de açúcar e até tabaco, tudo, porém em estado selvagem. De súbito, entre a mataria mais frondosa, divisamos um grande paredão. Aproximamos-nos. Uma porta e quatro janelas, na frente voltada para o norte como quase todas as construções dos jesuítas no Brasil. A porta por um capricho da natureza tinha a sua moldura natural, formada por raízes de figueira. Entramos no Templo. A vegetação luxuriante dominava em todos os recantos, até pelas muralhas se agarram as parasitas. No cimo dos paredões grandes árvores se erguiam majestosas, tendo as suas raízes descido até alcançarem a terra. Na parte interna ainda se erguia uma coluna quadrada com base granítica. Nas janelas existem grandes lajes de pedra que serviram de bancos quando eram habitadas as velhas ruínas.
Do lado esquerdo existe um nicho trabalhado em granito. Na parte traseira grandes cafeeiros em verdadeiro estado selvagem se agarram as muralhas como trepadeiras. Era época de frutos maduros, pequeninos como grãos de milho.
O chão está todo esburacado. Disse-nos o guia que estão procurando as panelas de ouro... deixadas pelos jesuítas.
Informou-nos mais que os seus avós tinham lhe transmitido que as ruínas pertenceram aos jesuítas e foram por eles abandonadas por ocasião da expulsão dos mesmos do Brasil. E que depois foram habitadas pelos locais, mas estes foram obrigados também a abandoná-la, devido a aparição de uma velha preta que gritava loucamente, deixando todos espavoridos,,,
Seria verdadeira a narração do caboclo?
Procuramos saber a origem daquele templo e ninguém soube nos informar ao certo.
O Dr. Ermelino de Leão nos disse: era a capela de Santa Isabel mas, que tendo verificado nos inventários de confisco de bens jesuítas, não figura semelhante propriedade da Companhia. Disse-nos que documentos antigos mencionam pertencer a capela de Santa Isabel ao paranaguense Sr. Matheus da Costa Rosa, que a obteve por herança e arrematação, tendo posteriormente obtido cartas de sesmaria passadas por Luiz de Mascarenhas, Governador de São Paulo, aos 14 de julho de 1759.
É fato conhecido, nos disse Ermelino de Leão, que a 19 de janeiro de 1759 foram os jesuítas banidos de Portugal e suas colônias e a 3 de setembro do mesmo ano banidos por traidores, rebeldes, adversários e agressores a pessoa de Dom José. As providencias tomadas pelo Marques de Pombal, para o bom e completo êxito da prisão e expulsão dos jesuítas, surtiram os desejados efeitos, e no mês de setembro de 1760, debaixo de todo sigilo, estavam encarcerados os sacerdotes daquela Companhia que residiam nas Capitanias do Sul do Brasil.
Como conseqüência dos atos de rebelião, foram os seus bens declarados vagantes e incorporados ao fisco a 15 de fevereiro de 1761. É natural que fossem posteriormente vendidos em hasta pública e que o sítio do Senábio, onde estão as ruínas, como propriedade dos jesuítas, igualmente passasse para o domínio particular como se constata da primitiva escritura.
Disse-nos ainda que o Dr. Matheus da Costa Rosa era homem de haveres: dono das lavras de ouro do Arraial Grande, possuindo numerosa escravatura, e que bem poderia construir, nos seus vastos domínios, a capela destinada ao culto divino, quanto mais não faltavam na sua família, sacerdotes para tal cura.
Resta saber por que o Dr. Matheus iria escolher o patrocínio de Santa Isabel para a capela ereta no seu sítio.
A biografia do opulento paranaguense fornece completo esclarecimento. O Dr. Matheus era casado com Dona Isabel Archangela do Pilar de Almeida Castello Branco. Pois, era natural que o referido senhor consagrasse como orago da Capela Santa Isabel, onomástica da sua esposa que pertencia à família fidalga


Informação do acervo bibliográfico de Eric Joubert Hunzicker - E-mail: eric.hunzicker@hotmail.com – cedido ao portal Nosso Litoral do Paraná em 06/1/2011.

  • Ruínas da Capela do Itaperuçu
  • Ruínas da Capela do Itaperuçu

Porto de Cima – Patrimônio do Litoral do Paraná

Porto de Cima – Patrimônio do Litoral do Paraná

Localiza-se a uma hora de Curitiba, às margens do Rio Nhundiaquara. O acesso até a região garante um belíssimo passeio de trem pela estrada de ferro ou, se preferir passear de carro ou de bicicleta a estrada da Graciosa também é uma ótima alternativa. No passeio a Morretes as belezas naturais aumentam assim que você chega a Porto de Cima onde você pode desfrutar de belíssimas paisagens com rios de águas límpidas e tranqüilas, cachoeiras, recantos e áreas para acampamento além de ter a oportunidade de fazer passeios dentro da floresta com o acompanhamento de guias especializados. Você e sua família poderão conhecer o centenário caminho entre as Prainhas e o caminho do Itupava e a histórica Igreja de São Sebastião. Porto de Cima, teve seu auge em decorrência dos engenhos da erva-mate o que levou a ter vital importância econômica entre o litoral e o planalto nas últimas décadas do século XVIII. Encontramos ali, ruínas de engenhos, casarões e calçadas de pedras da época de seu grande crescimento que, começou a perder forças com o crescimento político e econômico do interior do Paraná no final do século XX.

Resumo Histórico de Porto de Cima

“Cumprindo o provimento do Ouvidor Pardinho, de 16 de junho de l72l, e provisão de S. Majestade D. João V, de 24 de outubro de l722, em data de 01 de novembro de l733 foram demarcadas para Porto de Cima, 300 braças em quadra, de terras”.
D. João Laines, em 08 de novembro de 1738, obteve licença para edificar casas e armazéns para cargas e passageiros, e passou, logo depois, a residir com sua família, dando origem, assim, ao povoado que foi crescendo paulatinamente.
Do ano de 1835 em diante, começaram a se estabelecer em Porto de Cima com engenhos de erva mate, Inácio de Loiola e Silva, Comendador Manoel Francisco Correia Jr., Manoel Gonçalves Marques, Manoel Ribeiro de Macedo e muitos outros.
Em 1854, os moradores requereram a criação da Freguesia, mas não foram atendidos sob a argumentação de que ”não era conveniente que se eleve a Freguesia uma capela que tem 1500 almas e distante pouco mais de uma légua de Morretes”.
Mas apesar das ponderações do Bispo de S. Paulo, a Assembléia Provincial, pela Lei nº 32, de 07 de abril de 1855 criou a paróquia que no ano de 1872, pela Lei nº 294, de 07 de março foi elevada a Vila. Dessa forma, Porto de Cima tem como data de sua criação 7 de março do de 1872 e a sua instalação ocorrida em 3 de janeiro de 1873.
A partir do ano de 1876, Porto de Cima passou a receber muitos colonos estrangeiros, principalmente italianos.
Suas atividades sempre foram marcantes, registrando-se naquela época a existência de um Clube Literário com brilhante fase de prosperidade e centro ativo e rico, recebendo em 1881 a visita de D. Pedro II, e foi o primeiro no Paraná que aboliu a escravidão.
Seus padroeiros eram “Nossa Senhora da Guia e São Sebastião”.
“Ainda hoje Porto de Cima se mantém influente em nosso município, com seus belos recantos naturais servindo de recreação àqueles que a procuram, e sempre acolhendo a todas as pessoas num convívio de amizade e trabalho, zelando pelas suas tradições.”

Fonte: Informações do historiador Augusto Kuback.

Do Diário da Visita à Província do Paraná – (Por D. Pedro II, sobre Porto de Cima).
“... 4 de junho de 1880 ... a serra foi descida muito depressa. Chovia um pouco e não pude quase gozar da bela vista. Cheguei à uma hora e tanto a São João da Graciosa. A estrada daí até cá é excelente.
Atravessei Porto de Cima, onde havia arranjos para receber-me, sem aí parar porque não estava prevenido disso.
A ponte sobre o Nhundiaquara que passei é de madeira, porém pareceu-me bela. As nuvens não me deixaram admirar as montanhas ao lado da estrada e, sobretudo o Marumbi que te 1700 metros (?) de altura. Cheguei a Morretes pouco depois de 5 horas...”
“ 6 de junho de l880. 9 horas. Parti para Porto de Cima. Gostei de ver a pequena exposição agrícola feita por esta ocasião ... Na mesma casa existe o Clube Literário ou gabinete de leitura, o melhor do Paraná. Reuem-se à noite para ler, média de 10-15 pessoas. Há conferencias. Fui depois à matriz fazer oração...”
Fonte: pesquisa do historiador Augusto Kuback.

  • Ponte Metálica sobre o Rio Nhundiaquara em Porto de Cima
  • Igreja de São Sebastião no Porto de Cima

Ruinas da Coepa, fabrica localizada no Tombo D' Água

TOMBO D’ÁGUA

NOTICIAS DE MORRETES
A INDÚSTRIA DO PAPEL EM MORRETES
NOVA FABRICA DIRIGIDA POR INDUSTRIAIS CHINESES
MORRETES 2 (Do Correspondente de O Dia)

Este município está destinado a ser em futuro próximo um dos grandes produtores de papel dentro do Brasil.
Já possuímos a velha Fabrica Paranaense, que remonta aos tempos do Sr. João de Deus Freitas, do Sr. Meneghetti da Paraná Paper do grande Bergan e que agora em mãos da Casa França Gomes Lmdt, tendo a frente a figura dinâmica do Sr. Antonio Manoel de Almeida, está sempre em progresso com aperfeiçoamento e ampliações que tem permitido o aumento da produção e melhoria da qualidade do produto.
Esta fabrica ocupa como principal matéria prima o jasmim.
Como combustível, usava a lenha, ocupando hoje o óleo cru.
Temos em porto de cima a antiga fabrica de papelão fundada pelo Sr. Trajano Reis, agora da propriedade da Casa França Gomes Lmdt, e ampliada para produzir também papel. É um estabelecimento pequeno, porém, bem montado as margens do rio Nhundiaquara, que lhe fornece a força hidráulica.
Finalmente temo a Coepa, fabrica localizada a margem da estrada da graciosa, no lugar Tombo D’água, entre os distritos de Porto de Cima e S. João.
Foi fundada para a produção de pasta mecânica, idealizada e posta em construção por um grupo de capitalistas de Curitiba, tendo como diretor o Sr. Guilherme Richter. Ocupa como matéria prima madeiras brancas, abundantes naquele topo da serra é movimentada por poderosa turbina hidráulica pelo aproveitamento das águas do Rio São João.
Agora este estabelecimento vem de ser adquirido por uma nova organização no Brasil. É ela fundada por industriais chineses recentemente chagados ao nosso pais.
Em visita que tivemos ocasião de fazer a fabrica em companhia do industrial José Malucellí, do Dr. Alcídio Bortolin e do Dr. L. Rolando Malucellí verificamos com prazer estarem os novos proprietários ocupados em sua ampliação bem como na construção de uma vila operaria dentro das quais haverá duas pensões para operários solteiros. A fabrica sofrerá radical reforma passando a produzir além da pasta mecânica papeis de vários tipos inclusive o higiênico. Ao ensejo de nossa visita não tivemos o prazer de conhecer o Sr. Tjian Dse-Ning que se achava ausente e em preparativos para uma viagem ao Estados Unidos, mas fomos recebidos pelo Dr. Ling Yu, químico e engenheiro especializado na fabricação do papel, e que é pessoa de fino trato, culta tendo tido a gentileza de nos acompanhar na visita ao estabelecimento. Adianta-nos ele que os projetos da organização não estão ainda definitivamente delineados, não se sabendo se empregarão todas as suas atividades neste município ou se irão expandir-se para outras regiões onde lhes seja mais favorável a obtenção de energia elétrica, matéria prima e transporte. Como é sabido estes industriais possuem em Paranaguá ainda nos armazéns do porto uma fabrica desmontada de grande capacidade descarregadas dos seus navios próprios, cujo o destino ainda é incerto, dependendo daqueles fatores. Oxalá os estudos que se estão procedendo em algumas quedas d’água daquela serra e a próxima conclusão da usina da Cotia em Bairro Alto, possam nos favorecer para a montagem aqui dessa e d’outras grandes industrias, que outros inúmeros fatores se apresentam em Morretes favoráveis a aplicação de capitais.
24/01/1951

Fonte: Acervo do Pesquisador Éric Joubert Hunzicker – Cedido para publicação no Portal www.nossolitoraldoparana.com.br

  • Ruinas da Coepa, fabrica localizada a margem da Estrada da Graciosa - Próximo ao Poço Preto