Ilha Do Mel

História

No início do Séc. XVII, Heliodoro Ébano Pereira funda as povoações de Paranaguá e de Curitiba, primeiros núcleos de povoação do Paraná, subordinados à Capitania de São Paulo. Na metade do século seguinte, iniciada a ocupação da região sul, o Tenente-Coronel Cândido Xavier de Almeida e Souza alcança os Campos de Guarapuava (1770), fundando a povoação de Guarapuava e erigindo o Forte de N. Sra. do Carmo, de taipa, para a proteção do núcleo. Em 1853, já sob o Segundo Reinado no Brasil, o território do Paraná é desmembrado do de São Paulo, e elevado à categoria de Província.
Situada no Morro da Baleia, dominava o canal de entrada da Baía de Paranaguá, e contava originalmente com duas peças de artilharia de calibre 24, duas de 18 e duas de 12 que foram desarmadas em 1800. Durante o primeiro império, foi novamente re-armada com doze peças de calibre 18 e devidamente guarnecida em 1825. Durante a regência, em 1831 é novamente desarmada, para ser rearmada e guarnecida em 1850, quando enfrenta a fragata inglesa "Cormoran" em 01 de julho de 1850 que aprisionara navios brasileiros no porto de Paranaguá, sob a acusação de tráfico negreiro. O então comandante da fortaleza, Capitão Joaquim Ferreira Barbosa, dando ordem de fogo as baterias, atingiu a fragata, obrigando-a a procurar refúgio na Enseada das Conchas.
Na primeira metade do século XVII, ocorreu a ocupação portuguesa das terras do litoral e primeiro planalto paranaense. Os portugueses estabeleceram-se aqui com os objetivos principais de escravizar indígenas e encontras metais preciosos (BALHANA et alli, 1969). O atual Estado do Paraná incluía-se então nas Capitanias de São Vicente e de Santo Amaro, quando depois de constituir uma capitania quase autônoma (de Paranaguá) sob o domínio de Gabriel de Lara passou a fazer parte da Capitania de São Paulo, em 1711 (FIGUEIREDO, 1954).
Os ameríndios carijós ocupavam o litoral paranaense e o sul do Brasil antes da colonização, dominando então desde o litoral de Cananéia em São Paulo até a Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul. Os numerosos Sambaquis existentes na ilhas de nosso litoral representam restos da antiga civilização carijó, que habitava locais próximos aos mangues e enseadas, pela existência de muitos peixes, ostras, mariscos e outros alimentos (MARTINS, 1939).
Os principais fatos históricos relacionados à Ilha do Mel são a construção da Fortaleza de Nossa Sra. dos Prazeres, o incidente "Cormorant" e a construção do Farol de Conchas. A partir de 1718, corsários franceses e outros navios estrangeiros invadiam a Barra de Paranaguá em busca de descanso, riquezas e contato com os índios. Desta maneira, os portugueses decidiram construir uma fortaleza para resguardar a Baía de Paranaguá dos ataques forasteiros. Assim, foi encarregado o Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza para a construção do forte na Ilha. Foi então determinando o local, na base do Morro da Baleia e sua planta estratégica.
O governo português destinou quatrocentos mil réis para a obra, que foram somados à importância de duzentos mil réis provenientes da arrecadação da Câmara de Paranaguá. A Obra foi concluída em 1769, ocorrendo também a construção de uma capela, tendo como padroeira Nossa Sra. dos Prazeres (MARTINS, 1939).
O incidente "Cormorant" será descrito com base no trabalho de CARNEIRO (1950). Este ocorreu na época em que a Fortaleza encontrava-se sob o comando do Capitão Joaquim Ferreira Barbosa; na ocasião, o forte estava sem guarnição de guerra e armamentos. O Brasil tinha firmado um acordo com a Grã-Bretanha, autorizando esta a apreender navios negreiros que navegassem pela costa brasileira.
Por volta de 1850, o navio inglês Cormorant navegava pelo litoral paranaense, comandado pelo capitão Herbert Schoemberg. O oficial inglês atraiu um pescador parnanguara para o navio, utilizando-se deste para transpor a Barra de Paranaguá. Já no porto, desembarcou tropa que apossou-se de algumas embarcações de comércio que ali se encontravam. Quando questionado pelas autoridades aduaneiras, o comandante inglês afirmou que estava somente cumprindo ordens, não tendo mais explicações a prestar. Enviou um ofício ao Comandante do Forte de Paranaguá, que não foi recebido por nenhuma autoridade no porto.
A população, indignada com o fato, dirigiu apelos às autoridades locais, e alguns homens uniram-se às tripulações e comandantes dos barcos aprisionados, levando para o Capitão Barbosa tudo o que fosse necessário para colocar os canhões em ação. Assim, entre 29 de junho a 1º de julho de 1850 estes homens trabalharam dia e noite para recolocar os canhões nas munhoneiras e deixá-los prontos para atirar, se preciso.
Antes de zarpar do porto de Paranaguá, o oficial inglês recebeu um ofício do Juiz de Direito da Comarca, em protesto contra o ato, qualificado como "tão atentatório como os que ficam apontados contra a soberania e dignidade de sua Nação"; o juiz mandou ainda outro ofício para o Comandante do Forte (Capitão Barbosa), dizendo-lhe para que fizesse o possível para impedir a saída dos barcos aprisionados pelo navio inglês. Quando o navio aproximou-se da barra da Fortaleza, foi enviada uma embarcação com uma intimação do Capitão Barbosa, que foi recebida a tiro de pólvora. Então, com um tiro de pólvora seca e outro de bala fez a advertência militar, recebida com bombas de calibre oitenta e balas de calibre 36 para cima. Travou-se então o duelo, onde foram atingidos dois barcos comboiados e o navio Cormorant, que ficou com sua caixa de rodas danificada. Um marinheiro inglês morreu e outro ficou ferido. Apesar dos danos causados à Fortaleza, nenhum brasileiro ficou ferido. Após conversações e esclarecimentos, a questão ficou resolvida.
Para a construção do Farol de Conchas, foram importadas peças da Inglaterra, desembarcadas em trapiche montado na Praia de Conchas. O Farol é constituído por torre inteiramente de ferro, possuindo altura de aproximadamente 18m. Funciona desde 25 de março de 1872 (MARTINS, 1939; FIGUEIREDO, 1954).
No século XVIII, a Ilha do Mel por sua localização estratégica era considerada de vital importância na defesa do Porto Dom Pedro II, um dos mais movimentados do país já na época.
Por ordem de Dom José I, foi construída em 1767 a Fortaleza de Nossa Senhora do Prazeres ou Fortaleza da Barra, com o objetivo de garantir a segurança da região e do porto por onde eram embarcados produtos extraídos do continente, como a madeira, erva-mate e o ouro.
Em 1850 aconteceu a batalha contra o vapor de guerra inglês Cormorant que aprisionou 3 naus brasileiras carregadas de escravos. Os canhões da fortaleza cuspiram fogo e o evento ficou conhecido como “Combate Cormorant” . Da fortaleza restam apenas ruínas hoje tombadas pelo Patrimônio Histórico.
Do alto do Mirante da Fortaleza que se atinge por trilha com pedras centenárias e vegetação exuberante, visualizam-se ainda os canhões apontados para a entrada da baía.
Em 1872 foi erguido o Farol das conchas, por ordem de Dom Pedro II, com a finalidade de orientar os navegadores da região. O Farol é todo feito em ferro fundido e considerado uma das grandes obras de engenharia da época. Sua escadaria com centenas de degraus levam a um dos mais belos locais de nosso litoral, que proporciona visão a todo a região e serra do mar.
A Gruta das Encantadas está envolta em lendas e histórias fantásticas. É uma cavidade natural, ao nível do mar, localizada ao sul da ilha. Guarda segredos ainda envoltos em mistérios. Diz a lenda que lindas mulheres, em noite de luar, apareciam e com sua beleza e seus cantos sedutores, encantavam os visitantes que, andando distraidamente pela praia, aproximavam-se da gruta e desapareciam misteriosamente para sempre.
Em 1992 durante a Conferência ECO 92 realizada no Rio de Janeiro, a ilha foi elevada a condição de Reserva da Biosfera, preservando assim as belezas naturais, fauna e flora da região, sendo a sua administração entregue ao Instituto Ambiental do Paraná – IAP.
Visando a conservação deste patrimônio, algumas restrições foram impostas. Foi necessário disciplinar o acesso à ilha, através de um cadastro. Atualmente existe restrição quanto ao número de visitantes, limitando-se em 5000 pessoas simultaneamente. O camping fica restrito a locais determinados e as autoridades fiscalizam com rigor qualquer atitude que venha comprometer o equilíbrio ecológico do lugar.

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