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MATO QUE VIRA MAR, MAR QUE VIRA MATO: O TERRITÓRIO EM MOVIMENTO NA VILA DE PESCADORES DA BARRA DE ARARAPIRA (ILHA DO SUPERAGÜI, GUARAQUEÇABA, PARANÁ).

Autor: MsC Juliane Bazzo

Situada na Ilha do Superagüi, Estado do Paraná (Brasil), a vila de pescadores de Barra de Ararapira abrange um território em permanente mudança. Um processo erosivo natural – originado na chamada barra – impõe a seus habitantes a necessidade de transferência periódica de construções em terra e rotas de pesca. Em 1997, quando da ampliação do Parque Nacional do Superagüi, Barra de Ararapira foi incluída no interior dessa unidade de conservação, cujos limites são dados por coordenadas fixas que pouco combinam com a mobilidade do território do vilarejo. Ocorre assim o choque entre duas racionalidades distintas: de um lado, um grupo de forte vínculo com seu lugar graças ao exercício constante da memória; de outro, uma política pública na qual parques nacionais são espaços de proteção integral, onde a ação humana é vetada para assegurar o futuro do planeta. Esta etnografia se propõe a uma abordagem da problemática da territorialidade em Barra de Ararapira, a partir do traçado de sua “cosmografia”, delimitada por cinco itens: história de ocupação guardada na memória coletiva; vínculos afetivos com o território; regime de propriedade; uso social dado ao espaço e mecanismos de proteção dele. O trabalho de campo revelou que laços de parentesco e a devoção religiosa operam enquanto idiomas nativos para reconstruir, ordenar e refletir sobre um território em constante transformação. Ademais, evidenciou como esses elementos são acionados pelos pescadores em situações de defesa territorial.